ZDP - Zona de desevolvimento proximal, conceito desenvolvido pelo sociointeracionista lev vygotsky que descreve o potencial de aprendizado de cada aluno, com base no seu ZDR, Zona de desenvolvimento real, ou seja, aquilo que ele já aprendeu.
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
Uso das Tecnologias no processo de ensino aprendizagem
O processo de ensino e aprendizagem hoje conta com um recurso muito impactante: as modernas tecnologias aplicadas à educação. Essa disponibilidade de recursos, também muda o paradigma do papel do professor, de detentor do conhecimento, para mediador do conhecimento.
Os recursos de armazenamento e exposição de conteúdo, oferta dados e informações que constituem elementos de construção do conhecimento. O professor pode ofertar vídeos no Youtube, conteúdos e apresentações no Google Drive ou outros dispositivos como Yahoo Grupos ou enviar por email, compartilhamento no Facebook ou até dispositivos móveis através do Whats App.
Abaixo uma lista das 50 principais ferramentas utilizadas para utilização na educação online (fonte www.whatsnew.com)
1. Dropbox: Um disco rígido virtual com vários GB gratuitos e acessível desde quase qualquer dispositivo. Porém, sem dúvida, é muito mais que isso…
2. Google Drive: A evolução de Google Docs que se soma às suas múltiplas ferramentas de criação de documentos, um considerável espaço virtual gratuito.
3. CloudMagic: Uma extensão e uma app multi dispositivo para buscar informação simultaneamente no Gmail, Twitter, Facebook, Evernote e muitos outros serviços.
4. Jumpshare: Para compartilhar documentos em segundos e permitir sua visualização online, além de seu download. Ficam disponíveis na nuvem durante duas semanas.
5. Weebly: Uma ferramenta para criar sites web que se destaca por seu agradável editor visual e seu baixo custo, começando por um bem-vindo plano gratuito.
6. Issuu: Também para compartilhar documentos porém principalmente aqueles cuja importância se encontra em seu conteúdo gráfico já que sua especialidade são as opções de visualização.
7. ePubBud: Um espaço para criar ebooks e publicá-los. Também serve para buscar exemplares embora para esta tarefa existam dezenas de alternativas.
8. Infogr.am: Para criar coloridas infografias interativas, com brilhantes ferramentas para ingressar e tratar dados graficamente incluindo uma mini folha de cálculo.
9. Text2MindMap: Uma ferramenta para criar mapas mentais através de um pequeno editor de texto e um quadro interativo muito fácil de usar.
10. EdCanvas: Para criar e compartilhar as lições das classes em formato digital.
11. TubeBox : para baixar vídeos do YouTube, Vimeo, DailyMotion, etc
12. ClassDojo : Para relatórios de gestão sobre o comportamento dos alunos, bastante útil para compartilhar com os pais
13. Animoto: Para muitos a melhor ferramenta para criar vídeos online a partir de material multimídia (fotos, vídeos, texto, etc.) armazenado localmente ou simplesmente usando o disponível na rede.
14. Todaysmeet: Uma rápida opção para criar salas de chat.
15. Slideshare: A melhor opção para criar e compartilhar apresentações com slides desde um canal pessoal, permitir sua visualização e um espaço para retro alimentar-se com os comentários.
16. Voki: Para criar um avatar que fala acompanhando as lições multimídia.
17. Screen Capture by Google (Google Chrome) e Screenshot (Mozilla Firefox): Extensões para tirar capturas de tela, guardá-las e/ou compartilhá-las via redes sociais. Se preferir um aplicativo de desktop Screenpresso é altamente recomendável.
18. RecordMP3: Para gravar e compartilhar áudio em mp3.
19. Diigo: A alternativa a Delicious para a gestão e captura de links.
20. Prezi: O sustituto do sonífero Microsoft PowerPoint que leva a um novo nível as apresentações graças às suas ferramentas interativas, visualizações fascinantes, elegantes estilos, um editor realmente simples, links a conteúdo online, etc.
21. Picmonkey: Um fascinante editor de imagens online, o sustituto -literalmente- de Picnik. Conta com filtros, opções para criar colagens e muito mais funções avançadas de fácil uso.
22. Loopster: Outro muito simples editor de vídeo online.
23. PlanBoard: Para planejar eficientemente as lições.
24. Scoop.it e Paper.li: Ferramentas de fixação de conteúdos web.
25. Socrative: Os laptops, tabletas e os smartphones já tomaram conta das aulas, sendo assim, é melhor tirar un mejor proveito, neste caso, com jogos, tarefas e exposições interativas entre dispositivos.
26. Join.me: Uma ferramenta para compartilhar tela e trabalhar em equipe.
27. Zamzar: Um potente conversor de arquivos em montes de formatos de documentos, imagens, vídeos, música, ebooks, etc.
28. Poll Everywhere: Criar rápidas enquetes com votações instantâneas via Twitter, SMS e mais.
29. VoiceThread: Para gravar e compartilhar todo tipo de material multimídia em forma de apresentações, com comentários em áudio e vídeo.
30. Evernote: Simplesmente uma ferramenta de notas de outro mundo. Seus variados usos para o mundo acadêmico vão desde a gestão de lições até a coleta de conteúdo multimídia na rede mediante seu capturador web.
31. TeachersPayTeachers: Intercâmbio de lições entre colegas.
32. Gnowledge: Um espaço para criar e compartilhar provas tipo teste e exercícios tanto com estudantes como com outros maestros.
33. Udemy: Para criar cursos online mediante eficientes ferramentas de gestão de conteúdos, de promoção, de assinatura e até de colaboração e até de colaboração graças a sua imensa comunidade que trascende continentes.
34. Plagiarisma.net: Uma das muitas opções online para detectar plagio nos textos.
35. Academia.edu: A mais ampla comunidade de acadêmicos que permite um fácil contato entre pares graças às suas opções para destacar interesses, áreas de interesses e localizações. Também é um bom espaço para encontrar e compartilhar papers.
36. Blogger: Para criar um blog em poucos minutos com a ajuda da fascinante plataforma de Google, o que facilita a integração de outros serviços da companhia para a gestão multimídia.
37. TED: Milhares de conferências em vídeo, sobre centenas de áreas do conhecimento, dadas por experts de nível mundial.
38. Wolfram Alpha: Todo o conhecimento mundial por trás de uma pequena caixa de busca. Uma das muitas coisas que faz é resolver todo tipo de exercícios matemáticos, se sobressaindo, inclusive, a outras brilhantes opções.
39. TinyChat: Uma sala de videochat muito agradável a qual permite o acesso através de redes sociais, até 12 pessoas compartilhando sua webcam e o resto comentando com mensagens.
40. Google+: A rede social do Google está a anos luz de distância de seus competidores no que diz respeito a integração de serviços (Drive e YouTube os melhores) e ferramentas eficientes como seus populares Hangouts. Isso só é no geral, pois os usoas acadêmicos são bastante variados.
41. Olesur: Para criar PDF’s com problemas de matemáticas, atividades de reforço e caligrafia, e mais recursos didáticos para imprimir.
42. Pinterest: Para organizar categoricamente todo tipo de material gráfico em pequenos grupos para logo compartilhá-los via redes sociais ou simplesmente mantê-los de forma privada. Um mockup especializado para a educação é Learni.st.
43. LaTeX Lab: Um editor de LaTeX online com a tecnologia dos documentos de Google.
44. Wiggio: Uma das muitas potentes ferramentas para os trabalhos em grupo, com listas de tarefas, calendário, enquetes, perfis e várias funções de interação.
45. WordPress.org: Similar ao Blogger na facilidade para a criação de blogs ou paǵinas web sobre qualquer tema, um pouco mais limitado em questão de uso de recursos porém muito mais elegante.
46. YouTube para escolas: Uma versão especial do YouTube para educadores onde se poderá dispor de centenas de vídeos acadêmicos de sites como YouTube EDU, Stanford e TED.
47. Khan Academy: Milhares de classes, de altíssima qualidade, em vídeo sobre diferentes campos do conhecimento oferecidas por maestros de todo o mundo. Qualquer um pode colaborar com o projeto.
48. Moodle: Uma plataforma livre para a criação de cursos tipo LMS, similar a BlackBoard porém, totalmente gratuita, com mais ferramentas interativas e uma ampla comunidade por trás de seu desenvolvimento e contínuo melhoramento.
49. Canvas: Também para a gestão de cursos, totalmente online (sem instalação em servidor próprio), muito mais elegante e mais fácil de utilizar.
50. Google Calendar: Para a gestão do tempo e as tarefas, embora também seja muito útil especificamente para criar calendários (por exemplo sobre horários de atenção a estudantes ou datas de exames e trabalhos) e compartilhá-los.
Links de blogs de conteúdos sobre TIC
http://karlalealopes.blogspot.com.br/2016/11/as-redes-sociais-para-o-uso-na-educacao.html
http://wlamiller.blogspot.com.br/
http://profcleokarvalho.blogspot.com.br/
http://franciscocustodio.blogspot.com.br/
http://professorjobim.blogspot.com.br/
sábado, 5 de novembro de 2016
Ensinar por competências
Conforme proposta, segue reflexões sobre o ensino com foco em competências
1. Porque ensinar com foco em habilidade e competências?
A formação superior, pressupõe a formação em três dimensões da vida do ser humano, de acordo com o artigo do professor Gilberto Teixeira “o proceso de ensino-aprendizagem e o papel do professor como gestor do pensar”:
- A formação das pessoas (subjetiva ou da consciência)
- A formação profissional, que produz a formação técnica para o exercício produtivo.
- A formação do cidadão (político-social).
A formação por competência, baseado na definição do termo: um conjunto de conhecimentos (saberes), habilidades (saber fazer) e atitudes (saber ser, aspectos éticos, cooperação, solidariedade, participação), integra as três dimensões propostas na formação integral do homem.
2. É possível trabalharmos pautados em competências e habilidades na educação superior?
É possível e necessário, uma vez que que o papel do professor evoluiu de um repassador de informações para um desenvolvedor humano, não com foco na formação técnica, mas multidimensional do homem. As aulas devem se tornar em um ambiente propício para a troca de experiências com aplicação prática do conhecimento.
Giussani (2000) afirma que o objetivo da educação é o de formar um homem novo; portanto, os fatores ativos da educação devem estimular o educando agir cada vez mais por si próprio, e sempre mais por si enfrente o ambiente. É preciso então, de um lado, colocá-lo constantemente em contato com todos os fatores do ambiente; de outro, deixar-lhe a responsabilidade da escolha, seguindo uma linha evolutiva determinada pela consciência de que o aprendente deverá chegar a ser capaz de, perante qualquer situação, ter autonomia. Ou seja, em um ambiente moderno, onde as coisas estão em constante mudança, o homem tem que construir suas próprias respostas para os problemas que vão surgindo, com a consciência de que não existe respostas prontas, mas que estas devem ser adaptadas às novas demandas.
3. Nesta perspectiva o que muda na relação professor conhecimento-aluno?
O professor Gilberto Teixeira, ainda no mesmo ensaio, ensinar vem do latim insignare, ou marcar com um sinal, no sentido de indicar um caminho, um sentido. Cita Gadotti (2004) afirmando que ser professor é viver intensamente o seu tempo, com consciência e sensibilidade. O professor não só transforma a informação em conhecimento, mas forma pessoas com consciência crítica, constroem sentido para vida dos seres humanos e para a humanidade. Não há mais espaço para professores donos de um saber, mas só aqueles que tenham a humildade de ser também eles aprendizes. A única diferença entre o professor e alunos, é que estes são profissionais do ensino e por isso comprometidos com o aprender e ensinar.
Aula invertida
O conceito de aula invertida é muito interessante, pois a disponibilidade do conteúdo antecipadamente aos alunos, seja através de textos, vídeos, recursos multimídia,ou a combinação de ambos, estabelece um contato do aluno com o material, despertando seu interesse. Durante a aula, o professor pode provocar discussões e troca de idéias, ampliando o conceito e desenvolvendo no aluno a percepção da necessidade do mesmo se responsabilizar pela busca do conhecimento e da sua participação ativa na construção do aprendizado significativo. Os momentos de interação na sala de aula se tornarão mais significativos, na medida que o conteúdo já estará "pré aquecido" na mente dos alunos, possibilitando uma maior amplitude na exploração do tema. Segundo matéria publicado o G1 por Andrea Ramal, os resultado são animadores:
A metodologia tem alcançado resultados positivos, com impacto nas taxas de aprendizagem e de aprovação, como também no interesse e na participação da turma. Disseminada nos últimos anos pelos professores norte-americanos Jon Bergmann e Aaron Sams, foi testada e aprovada por universidades classificadas entre as melhores do mundo, como Duke, Stanford e Harvard.
Em Harvard, nas classes de cálculo e álgebra, os alunos inscritos em aulas invertidasobtiveram ganhos de até 79% a mais na aprendizagem do que os que cursaram o ensino tradicional. Na Universidade de Michigan, um estudo mostrou que os alunos aprenderam em menos tempo. O MIT (Massachusetts Institute of Technology) considera a Flipped Classroomfundamental no seu modelo de aprendizagem. O método é adotado em escolas da Finlândia e vem sendo testado em países de alto desempenho em educação, como Singapura, Holanda e Canadá.
Pontos norteadores da educação
Com respeito aos pontos da docência que considero importante e são norteadores da prática educativa:
• Domínio do conhecimento é o principal fator de sucesso do docente, pois demonstra segurança do professor e credibilidade no contrato psicológico celebrado entre ambos. O discente deve ser estimulado a participar no processo de construção do conhecimento, mas o professor deve estar preparado para responder ás dúvidas e preencher as lacunas.
• Outro fator determinante diz respeito ao Planejamento educativo. O plano deve considerar a posição político pedagógico da instituição (alinhado com suas convicções pessoais), uma opção por determinada teoria do conhecimento e por uma teoria pedagógica. Além disso, envolvem as estratégias de ação, os recursos materiais e humanos. Devem ficar claro os objetivos educacionais que se pretende atingir com cada conteúdo, para que a avaliação seja fundamentada em atingimentos mensuráveis. O plano deve responder claramente perguntas norteadoras como Onde estamos? Aonde queremos ir? Como iremos? Como estamos indo?
• Além do conteúdo técnico referente à área de formação do discente, o professor deve ter em mente a construção de uma consciência cidadã, incutindo ao longo da apresentação do conteúdo, as questões éticas e sociais envolvidas na atividade profissional futuro formando, além da conscientização de seu papel político na sociedade.
• Por fim, a prática do ensino deve ser bem estruturada com o tratamento didático da aula, o que passa inicialmente por uma preparação tanto do professor quanto do aluno. A preparação do professor se dá pelo planejamento intencional das aulas. A preparação do aluno visa criar condição de aprendizado, através da curiosidade, das conexões da matéria nova com a anterior e a geração de expectativa em relação ao evoluir do aprendizado e principalmente quanto à exposição clara dos objetivos da aula. Outro ponto muito importante é a aplicação do conhecimento aos problemas do cotidiano, aos problemas dos pais, da família, da sociedade e em quaisquer grupos onde estivermos envolvidos, avançando da teoria à prática e provocando uma análise crítica da realidade e a consciência da responsabilidade social e política de cada membro da sociedade.
Quanto ao Multiculturalismo e a Sociedade, devemos reconhecer a necessidade da especialização para gerar profundidade na pesquisa e amplitude do conhecimento. O discurso moderno do clamor por interdisciplinaridade decorre da falta de contextualização gerada pelas disciplinas, pois o estudo disciplinar produz via de regra, desvinculação da realidade seja por falta de conexões claras, quanto por anacronismo, na medida em que algumas ciências avançam muito rapidamente. O trabalho do professor deve buscar as convergências disciplinares, como escreveu Brasil (1989, pag.89) “A interdisciplinaridade não dilui as disciplinas , ao contrário , mantém sua individualidade e integra as disciplinas a partir da compreensão das múltiplas causas ou fatores que intervêm sobre a realidade e trabalha todas as linguagens necessárias para a constituição de conhecimentos, comunicação e negociação de significados e registro sistemático dos resultados”. Essa convergência será conseguida através de uma mudança de paradigma no processo educacional, onde os professores trabalham suas disciplinas como universos isolados. Deve haver um esforço de coordenação para que haja ligações entre as diversas áreas do conhecimento e principalmente, conexões claras com o universo prático onde será submetido o futuro profissional.
Com respeito aos procedimentos ou técnicas de ensino, devemos avaliar o perfil da turma e o tipo de conteúdo a ser transmitido ou habilidade a ser desenvolvida para definir a melhor opção. Em se tratando de ensino conceitual a aula expositiva cumpre bem a finalidade, observando a atenção do grupo para mantê-lo em sintonia com as ideias apresentadas. Conceitos mais complexos ou processos complicados devem ser demonstrados e habilidades específicas serão desenvolvidas através da prática supervisionada. Outras técnicas valorizam os conhecimentos prévios do aluno e sua capacidade de construção do mesmo, como:
• Estudo dirigido, onde o professor propõe o conteúdo adequado e os alunos fazem a síntese.
• Diálogo, onde dois alunos discutem um tema com a coordenação de um terceiro e observação da turma.
• Seminário, onde os alunos buscam pesquisa de parte de um conteúdo proposto e apresentam em grupo ou individualmente para toda turma.
• Por fim, temos a opção de utilizar a estratégia Phillips 66, onde seis pessoas discutem por seis minutos. Os participantes se revezam até que os alunos participem de todos os grupos, abordando o assunto em vários ângulos, visando o consenso.
No que diz respeito à avaliação de aprendizagem voltada para a formação integral do homem e respeito às diferenças, devemos começar já na etapa da avaliação de diagnóstico, buscar identificar as características dos alunos, o nível de conhecimento deles e a capacidade contributiva de cada um. Avaliamos o perfil sócio econômico a fim de estabelecer a forma de contextualizar o ensino criando ligações com o ambiente social dos alunos. No decorrer do ensino, durante a avaliação chamada formativa, ir introduzindo questionamentos e estimulando a participação dos discentes, facilitando as conexões que ancorem a construção de novos conhecimentos e habilidades. Baseado em objetivos bem definidos, a avaliação somativa ou terminal pode esclarecer se houve atingimento dos alvos de ensino, tanto na formação de saberes, habilidades, quanto na formação do agente político intencional e responsável.
condicionamento social
Sobre a afirmação:"Ao nascermos, somos inseridos em um mundo no qual as interações sociais são determinantes", Lembro que a educação, considerada no sentido amplo, “compreende os processos formativos que ocorrem no meio social, nos quais estão envolvidos de modo necessário e inevitável, pelo simples fato de existirem social” (LIBÂNEO, p.17).
A educação pode ocorrer de modo não intencional, onde as interações sociais influenciam nosso comportamento ou, a educação intencional, onde a intenção e objetivo específico de passar um conhecimento, formar uma habilidade ou condicionar uma atitude. As duas formas tem em comum a subordinação às expectativas e condicionamentos sociais, que nos impõe um conjunto de regras, objetivos e posturas sociais, ideológicas ou políticas visando ao bem comum da sociedade.
A prática educativa vai assumindo forma e conteúdo de acordo com essas expectativas, cabendo á educação superior a formação do homem para atender aos anseios não somente de formação profissional, mas na formação do cidadão politicamente responsável e socialmente comprometido com as realidades que o cerca.
A formação multidimensional do homem
A mudança através da educação pressupõe uma mudança da perspectiva do educador, saindo do paradigma da exposição de conteúdo para um novo paradigma de formação multidimensional do homem, considerando a formação como uma atuação na integralidade humana e na sua capacidade e responsabilidade de construir as escolhas politicas para o bem comum.
Segundo Libâneo (2000), a formação do educador é um processo político e pedagógico intencional, com as dimensões teórico-científico da área do docente, mas também a formação pedagógica em filosofia, sociologia, história da educação e da pedagogia e suas concepções que estudam o fenômeno educativo a partir do contexto sócio histórico, porque a educação possui uma função essencialmente social.
O homem quando foca exclusivamente a formação técnica em sua educação formal, na verdade está reduzindo a importância de seu papel social a um elemento produtivo de bens e serviços. Em Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley (1932), retrata o extremo de uma vida orientada para o trabalho e produção, onde as pessoas eram condicionadas para uma determinada função social e um comportamento em harmonia com as leis e regras sociais. Nessa hipotética sociedade, a individualidade, a livre iniciativa, a criatividade e os direitos individuais eram anulados. As pessoas eram educadas para esse tipo de sociedade e viviam somente para o fim produtivo, sem questionar as decisões políticas de sua administração pública. Em nossa realidade, somos um país democrático, orientado para o respeito dos direitos e garantias individuais. Os cidadãos devem ser preparados dentro de uma integralidade do ser humano, nas dimensões social, intelectual, emocional e volitivo. Deve exercitar todos os aspectos do seu desenvolvimento humano, integrando sua formação técnica a todos os complexos fatores da existência humana.
O cidadão, enquanto participante das decisões que impactam a sua vida e da sociedade, deve ser estimulado a dialogar com o poder, deixando claro que “o poder emana do povo e em seu nome é exercido” conforme preconiza nossa constituição federal. Conforme Paulo Freire (1996) “A desconsideração total pela formação integral do ser humano e a sua redução a puro treino fortalecem a maneira autoritária de falar de cima para baixo. Nessa caso, falar a, na perspectiva democrática é um possível momento do falar com, nem sequer é ensaiado”.
No aspecto social, lembro Edgar Morin (2000), falando sobre ensinar a condição humana: “O ser humano é a um só tempo físico, biológico, psíquico, cultural, social, histórico”. Esta unidade complexa da natureza humana é totalmente desintegrada na educação por meio das disciplinas, tendo-se tornado impossível aprender o que significa ser humano. É preciso restaurá-la, de modo que cada um, onde quer que se encontre, tome conhecimento e consciência ao mesmo tempo de sua unidade complexa e de sua identidade comum a todos os outros humanos.
A perspectiva humana da educação nos conduz a fazer escolhas corretas, podendo decidir inclusive sobre a relevância do conteúdo e sua importância na aplicação prática do cotidiano e sua adequação à satisfação do anseio da sociedade.
O educador moderno precisa estender sua atuação para a dimensão da consciência. Paulo Freire (2000) escreveu “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco, a sociedade muda”. A educação para a transformação da realidade repele posições simplistas na intepretação do mundo, face ao anseio de profundidade na análise do mesmo, com a convicção de que a realidade está em mutação contínua. A mudança não torna o passado necessariamente pior, ou melhor, mas as mudanças devem ser aceitas na medida de sua validade e adequação às demandas do presente.
O educador está inserido no movimento de mudança, sendo um líder ativo na influência sobre os educandos. O educador deve incluir doses de ética, de valor à vida e defesa dos direitos e garantias individuais, da aceitação do diferente na convivência plural, além do conhecimento técnico necessário à formação do profissional. O educador enquanto líder exerce influência sobre o grupo e sobre cada aluno individualmente, sendo capaz de potencializar a capacidade de cada um, por meio de inserção não somente da teoria, mas da prática adquirida de sua experiência pessoal.
Tratando do papel do educador, Paulo Freire (2011), enfatiza o dever do educador democrático de reforçar a capacidade crítica do educando. O educador não deve focar somente no conteúdo aplicado ao educando, no sentido de transferir conhecimento e informações, mas criar condições onde se pode aprender criticamente, incluindo o educando para participar como sujeito do processo de aprendizado. Quando o educando torna-se um partícipe ativo, produz a prática do pensamento crítico e autônomo e a partir disso, introduzir o ideal de uma escola como espaço político, contribuindo para a prática democrática, onde a sociedade atua ativamente como autores da história e não apenas ouvintes passivos.
No contexto brasileiro, o governo federal deu os primeiros passos para uma evolução na educação superior, quando elegeu a reforma universitária como uma de suas prioridades no início de 2004. Na entrevista que o então ministro da educação enfatiza que a reforma deve buscar rigor e qualidade. O objetivo do governo é que a universidade esteja integrada a um amplo projeto nacional de desenvolvimento econômico e social. A reforma da universidade brasileira não é uma exigência apenas de ordem acadêmica e não diz respeito apenas aos interesses de estudantes, professores e funcionários que integram a nossa universidade. A universidade brasileira, enquanto totalidade está defasada em relação ás grande necessidades do país para a construção de um novo projeto nacional de desenvolvimento, de inclusão social, de altas taxas de crescimento, de agregação de valores aos nossos produtos e de criação de condições para que tenhamos centros de pesquisa, de extensão e de produção cientifica e tecnológica altamente gabaritada para que o Brasil exerça plenamente a sua soberania. (Revista Ensino Superior, abril de 2004).
Nos princípios e diretrizes que nortearam a elaboração da lei orgânica, fala-se inicialmente na Missão da Educação Superior, fala-se de uma universidade garantindo a participação da comunidade na supervisão de suas práticas acadêmicas, expressando prática democrática vivida em sociedade pluricultural, possibilitando acesso e permanência da educação superior para todas as classes. Os desdobramentos seguintes das diretrizes buscam solucionar a questão do financiamento, da avaliação, da estrutura e gestão, do acesso e permanência e do conteúdo e programas. No quesito acesso e permanência, o governo adotou medidas concretas de inclusão através do PROUNI, Reserva de vagas e bolsas integrais cedidas pelas instituições filantrópicas que gozam de isenção fiscal.
O discurso e o movimento do governo dizem respeito à qualidade técnica do ensino, com vistas à melhoria da qualidade geral do “produto brasileiro”, ou seja, a o impacto econômico do ensino e a garantia do acesso e do financiamento da educação. A identidade das universidades e das faculdades e sua função social se definirão no projeto pedagógico. Esse projeto, baseado na finalidade e no objetivo da educacional da construção de uma cidadania participativa e integrada á política. Como disse Gadotti (1997), o projeto político-pedagógico pode ser confundido com um plano de intenções, um plano de ação; entretanto ele faz parte do projeto, mas não é o projeto. Vai mais além e se apoia em três pontos fundamentais:
1. No desenvolvimento de uma consciência crítica e cidadã.
2. No envolvimento da comunidade interna e externa.
3. Na autonomia, responsabilidade e criatividade como processo e como produto do projeto.
O projeto pedagógico é construído a partir da realidade histórica da sociedade e das novas demandas do contexto politico, respeitando o pluralismo, a dignidade da pessoa humana e considerando o educando como agente atual ou potencial das decisões democráticas que permeiam a vida em sociedade. Os projetos educativos devem atender à necessidade social presente e futura, o que denota atenção e estudo dos problemas que vão surgindo na dinâmica social.
O Manifesto dos Pioneiros da Educação em 1932 surge a partir das necessidades de formação geradas pelo advento da República no Brasil. A educação no Brasil segundo os manifestantes estava a serviço das profissões liberais, como engenharia, medicina e direito, que visava o atendimento dos serviços sociais básicos. Dizia parte do manifesto “Ao lado das faculdades profissionais existentes, reorganizadas em novas bases, impõem-se a criação simultânea ou sucessiva, em cada quadro universitário, de faculdades de ciências sociais e econômicas; de ciências matemáticas, físicas e naturais, e de filosofia e letras que, atendendo às variedades de tipos mentais e das necessidades sociais, deverão abrir às universidades que criarem ou se reorganizarem, um campo cada vez mais vasto de investigações científicas”.
A nova realidade democrática vigente então passa a exigir a formação de cidadãos engajados no compromisso de influenciar nos destinos do país, na elaboração das leis e na gestão do bem público, demandando para isso, profissionais de nível superior com formação técnica, mas também com responsabilidade política e social.
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